quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pirata!

Quem não se lembra da polêmica que foi criada em torno do lançamento do filme "Tropa de Elite"? Pois é. Foi vendido em camelôs antes mesmo da estréia nos cinemas. Na época, pensou-se que tiraria parte do sucesso que o filme teria nas bilheterias. Mas, pelo contrário, houve uma divulgação tão grande em torno do filme, que acredita-se ter havido mais sucesso do que o esperado.

A discussão sobre pirataria é interminável. As posições são as mais diversas possíveis, sob diversos pontos de vista. Há aqueles que dizem que a pirataria serviu para reduzir os preços dos CDs e DVDs vendidos nas lojas. De fato, hoje pode-se comprar um DVD original em qualquer loja e pagar preços em torno de R$ 9,90, sem qualquer liquidação especial. Os CDs originais também tiveram seus preços reduzidos, podendo ser encontradas verdadeiras pechinchas em torno de R$ 4,90. Talvez se as indústrias fonográfica e cinematográfica não tivessem insistido em praticar preços altíssimos durante tantos anos, a pirataria não teria ido tão longe.

É evidente o prejuízo que a pirataria causa. A fórmula é cruel: menos lucros = menos empregos. Também há o problema do crime organizado, que está presente em tudo o que é considerado ilegal. No período da Lei Seca, nos Estados Unidos dos anos 20, podia se ver o crime organizado vendendo bebidas alcoólicas, controlando um mercado que se tornou ilegal.

A questão é: pela legislção atual, tudo é praticamente proibido quando se trata de direitos autorais. Na lista das proibições estão copiar e vender filmes por exemplo. Entretanto, nas ruas de Foz do Iguaçu, vemos a cada dia dezenas de pessoas comercializando cópias piratas de filmes, sem qualquer repressão por parte das autoridades. O que nos leva a pensar que quando tudo é proibido, tudo acaba sendo na verdade permitido. Levante a mão quem nunca viu um filme pirata. Para desespero das locadoras, possivelmente todos na cidade já compraram e viram filmes piratas.

Obviamente, é preciso repensar o modo como se busca lucro com música e filmes. A fórmula atual se baseia em princípios antigos que não levaram em conta a evolução da tecnologia. O modo como as pessoas se relacionam com as mídias atualmente é totalmente diferente do que se fazia há 30 anos atrás. A tendência é que estes produtos praticamente intangíveis tenham vida própria. Tentar controlar o fluxo destas mídias é como querer controlar o fluxo de oxigênio do ar que respiramos. As empresas precisam buscar outras formas de remunerar o capital e ao mesmo tempo, os consumidores precisam compreender que não existe nada grátis. Alguém sempre vai ter que pagar a conta.

Estabelecer critérios justos seria um bom começo. Se você tem 40 anos ou mais, vai lembrar do tempo em que se copiava os antigos discos de vinil em fitas cassetes. Pois bem, à luz da legislação atual, aquilo seria um crime passível de excomunhão e fuzilamento. Porém, naquela época era perfeitamente normal pegar emprestado um disco do seu amigo e copiar em fita cassete, para ouvir mais tarde.

O eterno conflito entre quem quer economizar com quem quer ganhar dinheiro nunca vai deixar de existir. Porém, se não houver um consenso, ou seja, disposição para pagar o justo e de outro lado, disposição para cobrar o justo, a longo prazo, todos irão perder.

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